Por que a inflação recorde nos EUA é má notícia para o Brasil

Os Estados Unidos têm vivido seus dias de país emergente. Preços são reajustados nas prateleiras com mais frequência e o salário do mês passado não compra mais o mesmo neste mês — para desespero (e muitos memes nas redes sociais) dos consumidores americanos, acostumados com valores muito mais estáveis.

A inflação nos EUA divulgada na última semana chegou a 9,1% no acumulado até junho, o patamar mais alto em 40 anos do CPI, principal índice de preços. O índice subiu mais de 1% pelo segundo mês seguido (1,3% em junho e 1% em maio).

A última vez em que os EUA haviam chegado a esse valor havia sido em 1981, após os choques do petróleo nos anos 1970.

Para além dos impactos internos nos preços (como a queda de popularidade do governo Joe Biden e a iminente derrota dos democratas nas eleições legislativas), as movimentações na inflação americana devem afetar o mundo inteiro nos próximos meses.

Os impactos no Brasil se baseiam sobretudo na expectativa de que o Fed, banco central dos EUA, possa subir ainda mais e de forma mais rápida os juros americanos.

“A inflação dos EUA, dentre as inflações globais, é a mais importante, porque gera impacto na política monetária americana. E como os EUA conduzem a política monetária deles influencia em como vamos ter de conduzir a nossa”, diz Matheus Oliveira, economista do Ibre/FGV. “Eles vão ter de apertar lá, e nós vamos ter de apertar aqui”, resume.

Fonte: Exame

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